sexta-feira, abril 27, 2007

"Um pouco da História da Praxe"

"# Origens

A actual praxe académica surge na Universidade de Coimbra. Tem como base uma jurisdição especial, que (o "foro académico"), a qual era aplicada pela Polícia Académica. A organização desta polícia era constituída por alunos, e a hierarquia definida pela antiguidade dos mesmos na universidade. O seu papel era o de zelar pela ordem no campus, e fazer cumprir as horas de estudo e recolher obrigatório por alunos e professores, sob pena de prisão, sobrepondo-se às autoridades oficiais. Também tinha a imcumbência de evitar a entrada na faculdade dos habitantes da cidade que não fossem estudantes ou professores. Com estas responsabilidades, misturavam-se rituais de iniciação (ou "investidas"), para os novos alunos, recém-chegados - os caloiros - à universidade, geralmente envolvendo actos de violência.

Pouco mais é conhecido destes rituais, até que em 1727, devido à morte de um aluno, D. João V a proíbe: "Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos."

No século XIX, o termo "investida" dá lugar aos termos "caçoada" e "troça". Os episódios de violência sudedem-se, com os novos alunos a serem rapados ou obrigados a cantar e a dançar e chega mesmo a haver confrontos físicos com os mais velhos.

Com o fim da polícia universitária em 1834, os estudantes decidem criar uma adaptação desta tradição e recuperar os rituais de iniciação. Assim, após o toque da "cabra" - o sino da torre da Universidade - patrulham as ruas da cidade, em busca de infractores, organizados em "trupes". No final do século XIX, surgem novamente relatos de violência entre estudantes, relacionados com os rituais de iniciação, onde os novos alunos eram obrigados a cantar e dançar, e em que era também frequente cortar-lhes o cabelo. Num destes episódios, um dos praxistas é morto por um caloiro.

A praxe foi entretanto interrompida durante alguns períodos. Durante a Implantação da República a praxe é abolida devido à oposição dos estudantes republicanos, sendo reposta em 1919

# Do Século XX à Actualidade


Durante o século XX, a praxe académica desempenhou um papel de luta contra o salazarismo, e a Guerra Colonial. As consequentes represálias, culminaram no Luto Académico em 1961, que levou à suspensão de todas as actividades.

Com o fim do regime a 25 de Abril de 1974, no final da década de 70, a praxe regressou a Coimbra e espalhou-se pelas restantes universidades de Portugal, na década seguinte (anos 80).

A Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto são exemplos de instituições que nunca voltaram a re-implantar a tradição. No entanto, alguns dos seus alunos, são por vontade própria praxados por outros alunos das faculdades de Medicina, Ciências e Letras.

Na cidade de Lisboa a adesão á praxe aumentou mas lentamente, devido também em parte á imensão da propria cidade e ao facto de não ser uma cidade académica, como Coimbra ou Évora. Um caso de sucesso é o da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, regindo-se por um código de praxe proprio e tentando respeitar e reavivar a tradição. No entanto, devido à volatilidade própria do meio estudantil, é difícil precisar actualmente qual é a adesão à praxe em cada Universidade.

Os movimentos anti-praxe que entretanto surgiram opõem-se às tradições da Praxe, remetendo para aspectos obscuros e desonrosos destas tradições. Afirmam que o número de relatos é inferior ao número de incidentes que realmente acontecem, enquanto que aqueles vinculados à Praxe negam vigorosamente. Assim a sociedade vê-se também dividida entre as duas versões, mantendo-se o actual "status quo"."

1 comentário:

WB disse...

A verdadeir aorigem das trupes: http://notasemelodias.blogspot.pt/2014/07/notas-as-trupes-academicas-origens-e_2.html