"Todos já ouviram falar sobre a Praxe Académica e todos têm uma ideia, mais que não seja preconcebida, sobre o que são as Praxes! Para uns a Praxe é uma coisa negativa para outros uma coisa bastante positiva.
Mas o que é afinal a Praxe Académica?
A Praxe Académica é um conjunto de tradições geradas entre estudantes universitários e que já há séculos vêm a ser transmitidas de geração em geração. É um "modus vivendu" característico dos estudantes e que enriquece a cultura lusitana com tradições criadas e desenvolvidas pelos que nos antecederam no uso da Capa e Batina. Praxe Académica é cultura herdada que nos compete a nós preservar e transmitir às próximas gerações.
A palavra Praxe tem origem na palavra grega "praxis" que significa a prática das tradições, dos usos e costumes. A "praxis" está de tal modo inserida no nosso quotidiano que quando alguém procede de certa forma só porque era esperado, devido à mecânica dos comportamentos sociais de grupos, não é raro ouvir-se dizer: "Pois... já é da Praxe!".
Ao contrario do que se possa pensar a praxe não é para fazer mal ao caloiro ou gozar com ele, mas sim a praxe serve para ajudar o caloiro ou recém-chegado à Universidade a integrar-se no ambiente universitário, a criar amizades e a desenvolver laços de sólida camaradagem. É através da Praxe que o estudante desenvolve um profundo amor e orgulho pela instituição que frequenta, a sua segunda casa.
A história da Praxe remonta ao século XIV, praticada na altura pelos clérigos monásticos, mas o seu contexto mais conhecido aparece no século XVI sob o nome de "Investidas". A Praxe, na época, era na realidade bastante dura para com os caloiros, o que a levou a ser considerada "selvagem" pela opinião popular nos finais do século XIX.
A Praxe revestiu-se historicamente de diversas formas, sofreu inúmeras transformações e chegou mesmo a estar proibida e suspensa. Após o 25 de Abril de 1974 a Universidade deixou de ser ver vista como um lugar sagrado, destinado a muito poucos, e assim com a democratização da Universidade, voltasse a implantar a grande tradição da Praxe Académica.
E novamente contrariando o senso comum: a Praxe Académica não existe somente na Universidade de Coimbra e varia de Universidade em Universidade.
A Praxe Académica e o seu espírito não é apenas das festas e dos copos, ela também ajuda o indivíduo a preparar-se para a futura vida profissional. Através das várias "missões impossíveis" que o caloiro tem de desempenhar, este vai-se tornando cada vez mais desinibido, habituando-se a improvisar em situações para as quais não estava preparado.
Não se pode confundir Praxe Académica com as "pseudo-praxes", executadas apenas por indivíduos ignorantes na matéria. A Praxe não pode nunca ser sinónimo de humilhação ou de actos de violência barata levados a cabo por uns quantos frustrados que não sabem o que são as tradições académicas e só usam um traje para se pavonearem na esperança de serem notados. São indivíduos destes os responsáveis pelo actual estado moribundo da verdadeira Praxe Académica que tem vindo a dar lugar a ditaduras absurdas, um pouco por todo o lado, que partem de ignorantes que desejam que a Praxe seja aquilo que lhes apetecer.
A Praxe Académica, de uma forma geral, é regida por uma hierarquia (ordem decrescente): Dux-Duxorum (O Dux dos Duxs), Dux Veteranorum (aquele individuo que, em princípio e por tradição, tem mais matriculas na Universidade), Veterano, Doutor Veterano, Doutor, Pastrano (Semi-Puto), Caloiro, Besta, contendo as actividades realizadas sempre como base o Bom Senso. Outros patamares hierarquicos, como paraquedistas e caloiros estrangeiros, existem, mas não vou entrar em tão ínfimos pormenores!
A Praxe Académica e o uso da Capa e Batina representam humildade e o respeito pelos outros.
Todo o "trajante" é obrigado, quando tem a capa pelos ombros, a coloca-la de forma a que qualquer tipo de insígnia não esteja visível. As dobras efectuadas são pelo número de matrículas realizadas e uma dobra a mais com significado livre para o estudante. A capa quando traçada só se pode ver preto.
A vida Académica do estudante é feita de momentos e de recordações, podendo ser retratadas pelos distintivos, insígnias, não devendo no entanto ser colocados os emblemas sem significado a nível académico ou pessoal para o estudante, pois estes emblemas não passam de acessórios que vão contra ao que o traje académico representa a nível académico ( Aos elementos de Tunas Académicas é permitido o uso de outro tipo de acessórios).
O uso de Pin’s não deverá também ser exagerado, pois o traje faz parte de uma tradição académica centenária, por isso não deve conter acessórios supérfluos.
O Traje Académico deve ser usado com orgulho, mas nunca com arrogância ou vaidade, pois este simboliza a igualdade entre todos os estudantes.
A Praxe Académica tem uma mecânica inerente que, ao ser desrespeitada, acaba por culminar em verdadeiros insultos à tradição.
A Praxe é dura, mas é a Praxe! ("DURA PRAXIS, SED PRAXIS!")"
sexta-feira, abril 27, 2007
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2 comentários:
parabens rambo!! ganda post
lol, foi o Morais! Não sabes ler?
Shine on!
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